quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

sem ninho, passarinho

ah! se eu soubesse...
mas não;
nenhum piloto
avisou.
nem pude ouvir
a voz da aeromoça
surgir do nada
e dizer
quais atitudes tomar
e quais
deveria evitar
para que
realizasse
um bom
voo.

a torre de comandos
sequer se pronunciou:
notifico aqui
a ausência
de notícias
e
as condições
sentimentaclimáticas
que vivi.
turbulências e
mais turbo-lentas
doses de
'O que fazer
agora?'.

adrenalina ou
agonia.
não sei bem
o que senti
- e que
ainda sinto -
em todas
as vezes que
segurei forte
nos braços;
braços de ninguém,
braços de
poltrona.
frios
e duros!
braços de ninguém!

vale a pena
lembrar
dos desembarques
e
escalas
pelo caminho.
saguões.
frios
e vagos.
santuário de
uma paciência
que ninguém
devota!
que me decora,
devora
e
derrota!

mas,
no saguão,
bem no cantinho
sob a luz
do sol,
na delonga,
na espera,
criei laços!
mas...
espera!
criei e
os desfiz...

era tanta
partida
que os
encontros
de mais nada
valiam!
e os laços
- lembra 
dos laços? -
se desfaziam.

mas,
na partida,
eu escolhia:
pra onde
partiria?
e assim,
indo
mais que
vindo,
fiz minha
trilha,
meu caminho.

hoje
sou sozinho,
sem caminho.
alço voo
crio ninho
e
sem demoras
esvazio
o ninho.
desfaço
mais laços
do que crio.

sou viajante,
sou pulsante,
sou passarinho.
sozinho
e
rio!
do mundo
e desse
meu caminho
sem chão
e sem
carinho.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

saudação.

repentina, a mente,
que não permite qu'eu invente
-desmente! -
se afastou do seu poder
e acabou por eleger
alguém menos parcial,
que não se esquiva
nem faz mal.
alguém menos racional.

retificou desconfiança,
proclamando a esperança:
"Vida longa a que procura!
Vida longa a quem alcança!"
nova era em alvorada
era lida, decorada,
hoje, amor!, condecorada!

dourada luz surgiu
e a murcha flor sorriu,
radiante!
era ela: a nova era,
que trazia, em resplendor,
quem, repentina
[a mente!]
promulgou seu sucessor:
"- Abram alas, aquietem-se:
Boas vindas ao Amor!".