ah! se eu soubesse...
mas não;
nenhum piloto
avisou.
nem pude ouvir
a voz da aeromoça
surgir do nada
e dizer
quais atitudes tomar
e quais
deveria evitar
para que
realizasse
um bom
voo.
a torre de comandos
sequer se pronunciou:
notifico aqui
a ausência
de notícias
e
as condições
sentimentaclimáticas
que vivi.
turbulências e
mais turbo-lentas
doses de
'O que fazer
agora?'.
adrenalina ou
agonia.
não sei bem
o que senti
- e que
ainda sinto -
em todas
as vezes que
segurei forte
nos braços;
braços de ninguém,
braços de
poltrona.
frios
e duros!
braços de ninguém!
vale a pena
lembrar
dos desembarques
e
escalas
pelo caminho.
saguões.
frios
e vagos.
santuário de
uma paciência
que ninguém
devota!
que me decora,
devora
e
derrota!
mas,
no saguão,
bem no cantinho
sob a luz
do sol,
na delonga,
na espera,
criei laços!
mas...
espera!
criei e
os desfiz...
era tanta
partida
que os
encontros
de mais nada
valiam!
e os laços
- lembra
dos laços? -
se desfaziam.
mas,
na partida,
eu escolhia:
pra onde
partiria?
e assim,
indo
mais que
vindo,
fiz minha
trilha,
meu caminho.
hoje
sou sozinho,
sem caminho.
alço voo
crio ninho
e
sem demoras
esvazio
o ninho.
desfaço
mais laços
do que crio.
sou viajante,
sou pulsante,
sou passarinho.
sozinho
e
rio!
do mundo
e desse
meu caminho
sem chão
e sem
carinho.